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História da Madeira

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Funchal: estátua de João Gonçalves Zarco.

As ilhas do arquipélago da Madeira já seriam conhecidas antes da chegada dos europeus no século XIV, a crer em referências presentes em obras e cartas geográficas como o "Libro del Conoscimiento" (1348-1349), de autoria de um frade mendicante espanhol, no qual as ilhas são referidas pelo nome de "Leiname", "Diserta" e "Puerto Santo".

Em 1418, a ilha do Porto Santo foi redescoberta por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira. No ano seguinte estes navegadores, acompanhados por Bartolomeu Perestrelo, chegaram à ilha da Madeira, na noite do dia 1 de julho de 1419, segundo Dias Leite.[1] Todavia, o desembarque, a primeira missa e a exploração do vale ocorreram no dia seguinte.[1]

Eram ilhas desabitadas que, pela sua localização — próximo à costa africana — revestiam-se de grande importância estratégica; e, pelo seu clima, ofereciam fortes potencialidades económicas, nomeadamente no tocante à exploração agrícola.

O povoamento

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Diante desses fatores, o domínio das ilhas foi doado pela Coroa de Portugal ao Infante D. Henrique. Por volta de 1425 iniciou-se o seu povoamento, uma iniciativa atribuída a João I de Portugal ou ao próprio infante. Nessa etapa, visando incentivar tanto o povoamento como a exploração económica, a partir de 1440 estabeleceu-se o regime das capitanias-donatárias:

Os três capitães-donatários fizeram levar as respectivas famílias e com elas um pequeno grupo de pessoas da pequena nobreza, gente de condições modestas e alguns antigos detentos do reino.

A ilha foi gradualmente povoada por portugueses, principalmente das regiões do Algarve e Minho.[2]

Para auferirem de condições mínimas para o desenvolvimento da agricultura, tiveram que desbastar uma parte da densa floresta de Laurissilva e construir um grande número de canalizações de água (as "levadas"), visto que numa parte da ilha havia água em excesso enquanto na outra esta escasseava.

Nos primeiros tempos, o peixe constituiu o principal meio de subsistência dos povoadores assim como os produtos horto-frutícolas. A ilha exportava madeiras de cedro, teixo, e produtos corantes como o sangue-de-dragão, anil e outros.

A primeira atividade agrícola local de grande relevo foi a cultura cerealífera do trigo. Inicialmente, os colonizadores produziam trigo para a sua própria subsistência mas, mais tarde, por volta de 1450, este passou a ser um produto de exportação para o reino e para as praças portuguesas na costa africana.

No entanto, diante da queda da produção cerealífera, o infante determinou mandar plantar na Madeira a cana-de-açúcar — então uma especiaria —, promovendo, para isso, a vinda, da Sicília, da soca da primeira planta e dos técnicos especializados nesta cultura. A produção de açúcar atraiu à ilha vários comerciantes Europeus, vindo a constituir-se num dinamizador da economia.[3]

Aparentemente é na Madeira que, no contexto da produção do açúcar, foi aplicada mão-de-obra escrava negra pela primeira vez. O sistema colonial de produção de açúcar é posto em prática na Ilha da Madeira, numa escala muito menor, e será sucessivamente aplicado, em larga escala, noutras zonas de produção ultramarinas, como é o exemplo maior do Brasil.[4]

Eventualmente, após este primeiro “boom” sentido no século XV e início do século XVI, surge o declínio da produção de açúcar na ilha. Esta crise acontece na segunda metade do século XVI e tem várias causas. A cana sacarina na ilha começa a evidenciar doença e, ao mesmo tempo, há também uma forte concorrência de novos territórios produtores: Canárias, São Tomé e, principalmente, o Brasil. Os engenhos de açúcar são gradualmente abandonados, sobrando poucos.

Perante este contexto esta cultura perde importância para outra muito marcante para a ilha: o vinho. Com o declínio da produção açucareira, em finais do século XVI, substituíram-se os canaviais por vinhedos, dando origem ao chamado Ciclo do Vinho.[5]

Nos séculos XVIII e XIX, os visitantes da ilha resumiam-se a quatro grandes grupos distintos: doentes, viajantes, turistas e cientistas. A maioria dos visitantes pertencia à aristocracia endinheirada.[6][7]

Durante o século XV a Madeira desempenhou um importante papel nos Descobrimentos portugueses. Tornou-se também famosa pelas rotas comerciais que ligavam o porto do Funchal a toda a Europa. E foi no arquipélago da Madeira que o mercador Cristóvão Colombo aprofundou os conhecimentos da arte de navegar e planeou a sua célebre viagem para a América.

Pela Carta-régia de 27 de Abril de 1497, o rei Manuel I de Portugal (1495-1521), Mestre da Ordem de Cristo, tornou a Madeira realenga.

Das três capitanias, a do Funchal veio, ainda no século XV, a tornar-se preponderante graças à sua localização geográfica, ao seu porto e ao desenvolvimento da agro-manufatura açucareira. Desse modo, a povoação do Funchal foi elevada a vila (1451), cidade (1508) e sede de bispado (1514).

Os séculos XVI e XVII

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Mapa da Madeira (F. de Wit, 2ª metade do século XVII). No detalhe a cidade e baía do Funchal com suas fortificações.

A Madeira serviu também como modelo para a colonização do Brasil, baseado nas capitanias hereditárias e nas sesmarias, conforme atesta a nomeação de Pero de Góis por João III de Portugal, em 25 de agosto de 1536, quando o rei lhe determinou que exercesse o cargo "da maneira que ele deve ser feito e como o é o provedor da minha fazenda na Ilha da Madeira".

Diante da afirmação crescente do açúcar brasileiro e do de São Tomé e Príncipe, de que se ressentiu profundamente a economia madeirense, a partir do século XVII o vinho passou a constituir-se no mais importante produto de exploração.

Os arquipélagos eram constantes alvos dos ataques de corsários e piratas, vivendo num clima de alarme. A aclamação de Filipe I como rei de Portugal trouxe alguma redução destes ataques.

À época da Dinastia Filipina (1580-1640), a Madeira mantinha intensas relações comerciais com as Canárias e com os espanhóis, razão porque a união das coroas foi vista com satisfação pela população local[8].

Nessa altura, durante a vigência da União Ibérica, a administração do arquipélago da Madeira passou a ser exercida por Governadores Gerais, o primeiro dos quais foi o desembargador João Leitão.

No Brasil, no entanto, no contexto da Guerra da Restauração, os madeirenses tiveram também importante participação na Insurreição Pernambucana, contra a ocupação neerlandesa.

A notícia da Restauração da Independência de Portugal chegou ao arquipélago da Madeira a 29 de Dezembro de 1640.

Com a restauração e o estreitamento de relações com os ingleses, o Funchal vai beneficiar de forma inesperada com a mudança do portador da coroa, passando a contar com uma importante presença inglesa, que a utiliza como uma placa giratória entre as diversas rotas comerciais do Império Britânico[9].

A Diáspora madeirense

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Nos séculos XVII e XVIII, uma grave crise económica e alimentar motivaram a